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Certificação leva gestão eficiente e mercados mais lucrativos para a fazenda pecuária moderna

Brasil vai bater recorde de exportações de carne bovina e pecuaristas permanecem investindo em rebanhos totalmente monitorados

O cenário foi vislumbrado e o objetivo traçado com determinação. Buscar um diferencial no valor da comercialização dos bovinos recriados e terminados, mantendo um controle de informações sobre cada animal. Um sistema que pudesse ser aferido pelos agentes da cadeia produtiva e trouxesse tranquilidade e segurança na gestão das transações e dos negócios pelos diretores da empresa. Brincos no rebanho inteiro, dados sobre entrada, vacinas, desempenho, nutrição, manejo, origem, peso, escore corporal, eficiência alimentar. Com a auditoria de uma certificadora respeitada no mercado e do próprio Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Foi assim que Agropecuária AgroVentura entrou no mundo do Sistema de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV), mantido pelo MAPA para registrar e controlar as propriedades rurais que optam por comercializar carnes para mercados que exigem rastreabilidade individual dos animais. Localizada em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, um empreendimento com mais de setenta anos de Pecuária de Corte, a AgroVentura abriu uma parceria, em 2016, com o Serviço Brasileiro de Certificações (SBC), empresa com dezoito anos de experiência no mercado de auditar protocolos do Agronegócio e promover a sua melhoria contínua. Além de permitir aos produtores agregar valor aos seus produtos e conquistar mercados mais exigentes. 

“Não tínhamos um diferencial no valor do gado que vendíamos e precisávamos de um método mais preciso sobre a nossa produção, semelhante ao que a certificação proporciona. Isto nos fez entrar no processo de controle. Animais com brinco, muita informação, manejo balizado pelos dados coletados e registrados. Ficamos abertos para auditorias do Ministério e da certificadora. E os proprietários, mais tranquilos com as vendas, compras, enfim, com a gestão dos negócios”, afirma o zootecnista e gerente de Agropecuária da AgroVentura, Rafael Santos Farias, de 35 anos, graduado na Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Botucatu (SP).

Sérgio Ribas (SBC Certificações) – ‘O foco do trabalho é agregar valor. E a certificação contribui demais para isso’

A AgroVentura atua na recria e terminação de animais Nelore e obtidos no cruzamento industrial com a raça Angus. A produção média anual é de 13 mil cabeças por ano. Só de bezerros, são até onze mil animais, todos recém-desmamados, com peso médio de 180 a 200 quilos. E de duas a três mil cabeças de boi magro para o confinamento. “Compramos o bezerro já pensando no abastecimento dos anos seguintes. Animais jovens, de até 24 meses, com recria intensiva, suplementação, confinamento denso de energia na dieta, terminados com acabamento mediano. Usamos quatro propriedades para recriar e uma para a engorda final. Alcançamos taxa de desfrute de aproximadamente 95% e vendemos para frigoríficos do estado de São Paulo. Normalmente, temos bônus da indústria, como no caso do ‘Farol da Qualidade’, da JBS”, explica Rafael.

Ele acrescenta que, desde o ano passado, por utilizar o bom gerenciamento propiciado com a atuação ao lado do SBC Certificações, aliado ao volume de gado comercializado e à qualidade das carcaças obtidas, vem sendo possível negociar preços maiores com a indústria para alcançar o mercado europeu. “Os frigoríficos colocam esse bônus no Valor Europa. Temos contratos muito específicos, mas podemos falar de três a quatro reais por arroba”, aponta o gerente da AgroVentura.

2020 vai ser outro ano de recorde na exportação de carne bovina brasileira. A expectativa é vender dois milhões de toneladas e faturar mais de US$ 8 bilhões. Uma montanha de proteína adquirida em massa pela China, incluindo Hong Kong, além de parceiros como Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos. “Se o apetite chinês permanecer assim, nossa carne in natura e processada vai ter um ano histórico em volume e receitas, na faixa dos dois dígitos”, informa a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO).

Rafael Farias – ‘Precisávamos de um método mais preciso sobre a nossa produção’

Um fato inédito, mesmo com a ausência quase total justamente de um dos mercados mais exigentes para a compra da proteína vermelha, a União Europeia, que, tradicionalmente, se abastece com apenas 120 mil toneladas por ano, porém pagando muito acima da média do mercado mundial. Basicamente, cinco cortes especiais, nobres da carcaça, algo perto de oitenta quilos por animal. Sem falar de outras 10 mil toneladas, que podem ser ocupadas dentro da chamada Cota Hilton, que tem exigências diferenciadas em relação ao SISBOV. Os europeus sofreram com a primeira onda da Covid-19, compraram menos de 30 mil toneladas no ano. Agora, quando podiam regressar ao mercado para abastecer os restaurantes, fast-food, hotéis e catering, voltaram a lidar com mais restrições pelo retorno do número de mortos e contaminados.

Sérgio Ribas Moreira, Diretor do SBC, concorda que a pecuária brasileira vive um ano realmente histórico e considera extremamente importante que as fazendas venham se mantendo com a certificação SISBOV. O protocolo recebeu permissão do MAPA para vistoria remota durante o período de pandemia. E os frigoríficos manterão a bonificação ao produtor certificado, sempre mirando os mercados internacionais, que buscam produto de qualidade. “Se algum pecuarista desistisse da certificação, poderia sofrer com o retorno à lista oficial de fazendas habilitadas à exportação para a União Europeia. Um processo que poderia levar até seis meses, inviabilizando boas oportunidades de mercado que possam surgir”, alerta o executivo do SBC.

Por isso mesmo é que a Agropecuária AgroVentura pretende continuar com o padrão de controle sobre a produção. “É um investimento, não um gasto. Independentemente de termos lucro ou não com a bonificação, o que importa é a segurança do rebanho e a nossa diretoria enxerga isso. Nossa meta é melhorar o desempenho, ganhar mais peso e aumentar a eficiência alimentar dos bovinos, tendo ao nosso lado o SBC, que faz um bom trabalho. Gostamos do suporte que eles dão, estamos próximos, eles são competentes e alinhados”, avalia Rafael Santos Farias. “O produtor deve estar sempre preparado para atender aos mercados, principalmente os que pagam mais, pois são oportunidades para agregar valor ao seu produto. O foco de todo trabalho deve ser sempre o de agregar valor. O prêmio recebido, a gestão, os procedimentos, a cobrança, a equipe interna, as metas, os métodos etc. E a certificação contribui demais para isso”, conclui Sérgio Ribas.

Agropecuária da AgroVentura – Produção média anual de 13 mil cabeças. Só de bezerros, são onze mil animais